Senzares
Os senzares são o povo do qual se origina a elite de Atlântida e do Império Atlante e todas as dinastias que governam a ilha de Ruta, bem como a língua oficial senzar.
Tipo físico e estereótipos
Em média, os senzares são o povo de maior tamanho e força física entre os da espécie dominante de Kishar, embora sejam ultrapassados por humanoides de outras espécies, os lems e as gorgós. São de pele parda-avermelhada, semelhante à dos indígenas não mestiçados das Américas. O tipo físico é atlético, bastante robusto para sua estatura elevada. Os olhos são geralmente negros e amendoados, o cabelo é liso, grosso e negro. Os homens de algumas linhagens, como o clã Zi, costumam ter barba, enquanto os de outras têm barba rala ou nenhuma.
Os senzares têm a reputação de serem autoritários, arrogantes e destemidos. São muito ciosos de suas tradições e desconfiados em relação a ideias novas, principalmente ao uso de pensamento lógico-formal e de mecanismos, que julgam ser prejudiciais às habilidades intuitivas e mágicas que valorizam. Mesmo no campo militar, as inovações são vistas, na melhor das hipóteses, como males necessários e aceitas apenas quando isso lhes parece absolutamente indispensável à manutenção do predomínio sobre seus rivais.
Família e sexualidade
Os senzares têm uma tradição matrilinear: o nome de família, a nobreza e a propriedade são normalmente transmitidos por via materna, de mãe para filho ou de tio materno para sobrinho. A virgindade é irrelevante, a infidelidade sexual não é considerada uma falta grave e demonstrações de ciúme explícito são consideradas de mau gosto.
A relação entre irmãos é fundamental e os tios e tias maternas têm um papel fundamental na disciplina e na educação dos sobrinhos. Enquanto a relação entre pai e filho costuma ser amigável, benevolente e informal, o tio materno mais velho, no papel de representante masculino da linhagem matrilinear, representa a autoridade por trás das imposições e obrigações que cabem aos sobrinhos do sexo masculino cumprirem. O menino é solicitado pelo tio a realizar certos serviços para a família dos parentes matrilineares, tais como o cultivo da terra e ao transporte da colheita. Ao realizar esses trabalhos junto a seus parentes matrilineares, o menino começa a sentir que é parte da família do seu tio, e não da do pai. É através dessa convivência que ele aprende as tradições, mitos e lendas de sua família e clã. Ele aprende também que, no futuro, lhe caberá, assim como coube ao seu tio materno legar aos sobrinhos seu nome e as tradições familiares, tais como conhecimentos relativos à magia, danças e cantos.
Sua irmã deverá tratá-lo com respeito e certa distância, como faz sua mãe em relação ao seu próprio irmão. O incesto entre irmão e irmã, apesar de freqüente na mitologia, é o tabu mais grave dessas sociedades (o incesto entre pai e filha ou mãe e filho também é proibido, mas visto com menos horror). Há pouca diferença entre os direitos e privilégios dos dois sexos, salvo no exército e marinha, onde predomina o sexo masculino, embora existam guerreiras mulheres e tropas de amazonas.
A lei de Atlântida permite aos cidadãos livres a poligamia limitada a três parceiros legítimos – duas esposas legítimas para um marido, ou dois maridos legítimos para uma esposa – desde que haja o consentimento dos três participantes, mas a maioria dos casamentos são monogâmicos. A posse de concubinas e concubinos, cativos ou não, é permitida e comum em famílias ricas.
Os membros da realeza podem praticar a poligamia livremente, com qualquer número de parceiros, mas apenas o casamento com outros membros do clã Quaxar é legítimo. Sua união com membros de outros clãs é legalmente concubinato.