Templo de Varjá

De Crônicas de Atlântida
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Templo de Varjá em Atlântis (exterior)
Templo de Varjá em Atlântis (interior)

O Templo de Varjá ou, mais formalmente, Templo de Quaxar e Varjá, é o grande templo consagrado a Quaxar e a Varjá que está situado na Acrópole central da Cidade Proibida. O acesso normalmente é interditado, e é rodeado de um fecho de ouro. Segundo a lenda, foi lá que de início Quaxar e Varjá conceberam e deram à luz a raça dos dez chefes das dinastias reais. Lá, a cada ano, vêm-se dos dez reinos da ilha de Rutá oferecer a cada um desses deuses os sacrifícios da estação.

Além disso, os reis aí se reúnem periodicamente, a cada cinco, ou a cada seis anos, fazendo alternar regularmente os anos pares e os anos ímpares, que abrem os lustros masculino (jokih) e feminino (amkih) da undécada ou kih. Nesta reunião, deliberam sobre os afazeres comuns, decidem se qualquer um dentre eles cometeu qualquer infração e julgam. Quando precisavam administrar alguma justiça, atribuíam-se, mutuamente, fé da seguinte forma. Soltam-se touros no lugar sagrado de Varjá. Os dez reis, deixados sós, após ter rogado ao deus para lhes fazer capturar a vítima que lhes seria agradável, põem-se a caçá-la, sem armas de ferro, somente com chuços de madeira e redes. Aquele dos touros que for apanhado, levam-no à estela e o fazem degolar em cima dela, como é prescrito.

Sobre a estela, além das leis, está gravado o texto de um juramento que profere os anátemas mais terríveis contra quem o violar. Depois de efetuarem o sacrifício conforme suas leis e consagrarem todas as partes do touro, enchem de sangue uma cratera e aspergem com um grumo deste sangue a cada um deles. O resto, lançam ao fogo, depois de haverem feito purificações em torno da estela. Em seguida, tomando sangue com taças de ouro, na cratera, e vertendo-o no fogo, fazem o juramento de julgar em conformidade com as leis inscritas sobre a estela, castigar quem quer que as tenha violado anteriormente, não infringir voluntariamente, para o futuro, nenhuma das fórmulas da inscrição, e só comandar e obedecer em conformidade às leis de seus pais. Cada um toma essa obrigação por si mesmo e para toda sua descendência.

Depois, bebe o sangue e remete a taça como ex-voto ao santuário do deus. Após o que, toma uma refeição e ocupa-se das outras obrigações necessárias. Quando vem a noite, esfriado o fogo dos sacrifícios, todos vestem belas roupas de azul sombrio e sentam-se no chão, sobre as cinzas de seu sacrifício sacramental. Então, na noite, depois de extintas todas as luzes em torno do santuário, julgam e sofrem julgamento, se um deles acusa outro de ter cometido qualquer infração. Feita a justiça, gravam suas sentenças, chegado o dia, sobre uma tábua de ouro, que consagram, como recordação, assim como suas roupas.

O santuário de Varjá tem um comprimento de duzentos metros, largura de cem metros e uma altura proporcionada. Revestiram de prata todo o exterior do santuário, exceto as arestas de espigão, e estas arestas eram de ouro. No interior, a cobertura é toda de marfim e inteiramente ornada de ouro, prata e oricalco.

Os muros, as colunas, o pavimento, guarneceram-no de oricalco. Aí colocaram estátuas de ouro: o deus de pé sobre seu carro, atrelado com seis cavalos alados, e era tão grande que o cimo de sua cabeça tocava o teto. Em círculo, em torno dele, as cem nereidas sobre seus delfins. Há também no interior grande quantidade de outras estátuas, oferecidas por particulares. Em torno do santuário, no exterior, erguem-se, em ouro, as efígies de todas as mulheres dos dez reis e de todos os descendentes que engendraram, e numerosas outras grandes estátuas votivas de reis e de particulares, originárias da cidade mesma, ou de países estrangeiros sobre os quais tinham soberania. Por suas dimensões e por seu trabalho, o altar responde a esse esplendor, e o palácio imperial é proporcional à grandeza do império e à riqueza dos ornamentos do santuário.