Rutá
Rutá ("Rica União", em senzar) é a grande ilha onde se localiza a sede do Império Atlante. Tem uma área total de 3.385.000 km² (incluindo o lago Tritônis, que tem uma área de 75 mil km²) e uma população de 202 milhões de habitantes. Um terço da área e metade da população pertencem à Atlântida propriamente dita e o restante está dividido entre nove reinos federados, cujos soberanos governam seus domínios e suas dependências com autonomia, mas obedecem ao comando do Atlás nas guerras e nas crises.
Os dez reinos são:
- Atlanté ou Atlântida
- Alguanté ou Eumelos ou Gadiros ou Katiros
- Xoterté ou Anferes
- Manté ou Evaimon
- Minté ou Mnéseas
- Tecité ou Autóctonos
- Quinguté ou Elasipos
- Honanté ou Mestor
- Zaleté ou Azaes
- Enté ou Diaprepes
Governo
Dos dez reis, cada um exerce o poder na parte que lhe cabe, e na sua cidade, comanda os cidadãos, faz a maioria das leis e pode castigar e condenar à morte quem quiser. Mas a autoridade dos reis uns sobre os outros e suas relações são reguladas pelos decretos de Varjá. A tradição lhes prescreve isso, bem como uma inscrição gravada pelos primeiros reis sobre uma estela de oricalco, que se encontra no centro da capital, no templo de Varjá.
Os reis aí se reúnem periodicamente, a cada cinco, ou a cada seis anos, fazendo alternar regularmente os anos pares e os anos ímpares, que abrem os lustros masculino (jokih) e feminino (amkih) da undécada ou kih. Nesta reunião, deliberam sobre os afazeres comuns, decidem se qualquer um dentre eles cometeu qualquer infração e julgam. Quando precisavam administrar alguma justiça, atribuíam-se, mutuamente, fé da seguinte forma. Soltam-se touros no lugar sagrado de Varjá. Os dez reis, deixados sós, após ter rogado ao deus para lhes fazer capturar a vítima que lhes seria agradável, põem-se a caçá-la, sem armas de ferro, somente com chuços de madeira e redes. Aquele dos touros que for apanhado, levam-no à estela e o fazem degolar em cima dela, como é prescrito.
Sobre a estela, além das leis, está gravado o texto de um juramento que profere os anátemas mais terríveis contra quem o violar. Depois de efetuarem o sacrifício conforme suas leis e consagrarem todas as partes do touro, enchem de sangue uma cratera e aspergem com um grumo deste sangue a cada um deles. O resto, lançam ao fogo, depois de haverem feito purificações em torno da estela. Em seguida, tomando sangue com taças de ouro, na cratera, e vertendo-o no fogo, fazem o juramento de julgar em conformidade com as leis inscritas sobre a estela, castigar quem quer que as tenha violado anteriormente, não infringir voluntariamente, para o futuro, nenhuma das fórmulas da inscrição, e só comandar e obedecer em conformidade às leis de seus pais. Cada um toma essa obrigação por si mesmo e para toda sua descendência.
Depois, bebe o sangue e remete a taça como ex-voto ao santuário do deus. Após o que, toma uma refeição e ocupa-se das outras obrigações necessárias. Quando vem a noite, esfriado o fogo dos sacrifícios, todos vestem belas roupas de azul sombrio e sentam-se no chão, sobre as cinzas de seu sacrifício sacramental. Então, na noite, depois de extintas todas as luzes em torno do santuário, julgam e sofrem julgamento, se um deles acusa outro de ter cometido qualquer infração. Feita a justiça, gravam suas sentenças, chegado o dia, sobre uma tábua de ouro, que consagram, como recordação, assim como suas roupas.
Há, além disso, muitas outras leis especiais sobre as atribuições próprias de cada um dos reis. As mais notáveis são: não pegar em armas uns contra os outros; socorrerem-se sempre uns aos outros, se um deles tentar, numa cidade qualquer, perseguir uma das dinastias reais; deliberar em comum, como seus ancestrais, trocar suas opiniões a respeito da guerra e de outros assuntos, deixando sempre a hegemonia à dinastia de Atlás, os soberanos de Atlanté. Um rei não tem a autoridade de dar morte a nenhum dos de sua dinastia, se essa não for a opinião de mais da metade dos dez reis.