Dlus
Os dlus (dluh, na grafia própria) são uma espécie humanoide (Kisharanthropus pumilio) que habita cidades subterrâneas sob as montanhas do continente de Tuté, no planeta Kishar.
Descrição
Os dlus são de baixa estatura, fortes, robustos e inteligentes. A pele é geralmente pálida, os cabelos e barbas, geralmente ondulados, podem ser brancos, loiros, ruivos, castanhos ou negros. Os olhos podem ser azuis, verdes, cinzentos, castanhos ou negros. Tanto machos quanto fêmeas (com exceção das rainhas) têm, normalmente, longas barbas a partir da puberdade. É difícil identificar o sexo de um dlu vestido, mesmo por outro dlu que não o conheça. Apenas a rainha perde a barba e desenvolve seios volumosos. Possuem sentidos aguçados, boa visão noturna e desenvolveram um senso de ecolocação que os torna capazes de “ver” na escuridão total como os morcegos, através dos ecos de estalos feitos com a língua. Além disso, são sensíveis a forças magnéticas, o que lhes permite identificar o pólo magnético e orientar-se na completa escuridão.
Um típico clã de dlus possui de 300 a 400 indivíduos, divididos em castas: tipicamente 200 serviçais, 100 operários, 50 guerreiros – três ou quatro dos quais consortes da rainha – e uma rainha. Com exceção dos consortes e dos ex-consortes que permanecem no clã, todos os membros jovens do clã são filhos da rainha e os mais velhos são seus irmãos ou tios.
Os operários encarregam-se do trabalho pesado, principalmente a mecânica, a alquimia, a metalurgia e a lapidação, artes nas quais a civilização dlu é mais desenvolvida. Suas obras de arte são extremamente valorizadas por atlantes e agartianos. Uns poucos dlus vivem fora dos clãs. A maioria deles apenas busca um lugar na sociedade anã ou em suas margens, mas alguns deles se associam a atlantes ou agartianos, geralmente como mercenários, ou são capturados e escravizados.
Governo
A rainha é a matriarca do clã, decide sobre tudo que tem a ver com crianças, educação e saúde. Um de seus consortes faz o papel de regente, lidera os guerreiros, o comércio e a relação com outros clãs. Geralmente nomeia um filho da rainha como seu imediato e capitão dos guerreiros. Um dos operários – ou, mais raramente, um dos serviçais – é escolhido pela rainha como ministro, encarregando-se da manutenção da residência e da organização do trabalho que não está relacionado ao serviço da rainha e das crianças.
A maioria dos dlus vive em cidades-estado que reúnem dezenas ou centenas de clãs e milhares ou dezenas de milhares de habitantes, liderado por um dos príncipes que é intitulado “grande regente”. Embora sua rainha seja oficialmente intitulada “grande rainha” e matriarca de todo o Estado, na verdade seu poder continua restrito a seu próprio clã. Os dlus se consideram uma potência independente e não reconhecem a supremacia de Atlântida ou Agarta sobre suas comunidades, cujas rivalidades aparentemente insanáveis são imediatamente esquecidas se algum poder externo ameaçar sua existência ou independência. Têm um rei supremo que vive numa cidade escavada sob o monte Meru, entre Agarta e Aiúia, cujo poder é limitado a representar o conjunto das cidades anãs em sus relações com outras potências e a arbitra conflitos entre elas.
Crenças
Os dlus são um dos povos mais materialistas do planeta Kishar. Embora respeitem os deuses, não os cultuam. Sua devoção está em primeiro lugar para com a rainha, depois para com o clã e em terceiro lugar para com o rei. Dão, porém, grande valor às modalidades de magia para os quais são aptos, principalmente alquimia, magia artesanal e proteção contra feitiços.
Reprodução
A reprodução dos anões é única entre os hominídeos. A rainha é a única fêmea fértil e é responsável por todas as crianças da comunidade, que nascem depois de uma gravidez de 9 meses em ninhadas de até sete indivíduos. Normalmente, ninhadas de um ou dois bebês dão origem a guerreiros, de três ou quatro a operários e de cinco ou mais, a serviçais.
Os bebês começam a andar e falar entre 12 e 18 meses. Os dentes de leite surgem entre seis meses e dois anos e são substituídos pelos permanentes entre os 6 e os 12 anos. Tanto nos machos quanto nas fêmeas, a barba cresce a partir dos 13 anos e o crescimento se completa aos 15 anos para os serviçais, 17 para os operários e 19 para os guerreiros.
Se a rainha morrer ou chegar à menopausa, uma jovem e dominante guerreira assume seu lugar. Depois de se impor às eventuais rivais, inibe a capacidade reprodutora das demais fêmeas do clã pela emissão de um feromônio. Perde a barba, engorda enormemente e passa a parir, amamentar e criar crianças a cada dois anos. Ao longo de sua vida reprodutiva, pode gerar mais de quatrocentos filhos.
A rainha escolhe alguns guerreiros jovens de outros clãs (tipicamente três ou quatro) como seus guardas pessoais e consortes. Estes são particularmente respeitados no clã, principalmente pelos mais jovens (muitos dos quais são seus filhos). São, porém, substituídos quando envelhecem e não têm nenhuma garantida de fidelidade: a rainha se reserva o direito de receber visitantes machos de outros clãs.
Os demais membros do clã são normalmente estéreis e celibatários. De modo geral, os dlus (com exceção da rainha e seus consortes) não têm interesse por sexo e preferem divertir-se em grupo, com canções, danças, banquetes e bebedeiras.
Em alguns raros guerreiros e ainda mais raras guerreiras, porém, a rainha não consegue suprimir a fertilidade e o desejo sexual. Estes estão destinados a deixar o clã e buscar seu futuro em outra parte, frequentemente na sociedade humana. As guerreiras que saem do clã perdem a barba e criam seios, mas só se tornam rainhas ao encontrarem um consorte e fundar um novo clã, o que é bastante raro. Os machos podem tentar se tornar consortes permanentes de uma rainha disponível, passar a vida cortejando uma rainha atrás da outra ou, mais raramente, encontrar uma guerreira sexualizada e fundar um novo clã.
Doenças e acidentes à parte, a longevidade potencial média é de cerca de 400 anos. A rainha chega à menopausa por volta dos 250 anos. Depois disso, perde parte de seu peso e a barba volta a crescer, de forma que se parece com qualquer guerreira idosa – embora continue a receber um tratamento especialmente respeitoso até o fim da vida.