Império de Agarta
O Império de Agarta, ou simplesmente Agarta, é o segundo Estado mais poderoso do planeta Kishar e, sob alguns aspectos, o mais avançado tecnologicamente.
História
Cerca de 1500 aFA, nas costas dos mares frios setentrionais, surgiu a cultura dos navegadores dengus, que se espalhou pelos mares setentrionais e colonizou a ilha de Rudra e o norte da ilha de Rutá. Em torno de 1000 aFA, um chefe tribal que a lenda chama de Wodana afirmou seu domínio sobre as tribos vizinhas e proclamou-se rei, embora os dengus do ultramar, incluindo o sumo-sacerdote de Thule, se recusassem a reconhecer sua suserania. Por muitos séculos, o reino de Agarta, originalmente Ansugarto ("Território dos Ansu", a tribo de Wodana), foi um Estado pobre, pequeno e bárbaro, apesar das pretensões de superioridade em relação a seus vizinhos.
Por volta de 780, Rudra, rei de Agartha, conseguiu organizar seus turbulentos guerreiros no exército mais disciplinado e eficiente que seu mundo jamais vira. Esse exército foi lançado contra os helcarianos e, numa série de impressionantes vitórias, arrebatou-lhes a maior parte de seus domínios, incluindo a cidade sagrada de Shamballa, na qual Rudra se proclamou Imperador do Mundo. Foi derrotado e morto ao tentar invadir e conquistar o Império Cari, então em seu apogeu, mas seus sucessores continuaram a fustigar o grande rival. Suas periódicas incursões foram um dos principais motivos para a transferência da capital cari de Babel para Khem.
A partir de 1513 dFA, o Império Cari, depois de dois séculos de decadência econômica e agitações políticas, foi dilacerado por uma violenta guerra civil entre Haru e Sutah, pretendentes ao trono de Khem. Agarta interveio a favor de Haru, que acabou vitorioso, mas perdeu para sempre as partes mais ocidentais de seu império, incluindo a ilha de Rutá, Muté e Nemté. A longa guerra exauriu os combatentes, desorganizou o comércio mundial e ocasionou uma profunda regressão da cultura em quase todo o planeta. Nos anos 1600, Agarta havia mergulhado no caos feudal, assim como seus principais rivais. Com o controle efetivo apenas da região central do Império, em torno do mar de Helcar, os soberanos agartis dedicaram-se à religião, à construção de templos e à ampliação e embelezamento da capital Xambala-Manova, esforçando-se por elevá-la à altura dos sonhos de Rudra.
A partir de 1800, iniciou-se uma lenta recuperação, estimulada pela reativação do comércio e da inovação mágica e técnica pelos atlantes no Ocidente. Entre 2320 e 2340, o Imperador Surya, o terrível, conseguiu disciplinar seus vassalos e criar um exército tão eficiente quanto o outrora reunido por seu remoto antecessor Rudra e ainda maior. De 2340 a 2360, seu sucessor Rama usou esse exército para submeter mughals e lemurianos e, em 2365, aliou-se aos atlantes para partilhar o que restava do Império Cari e a região lemuriana de Barata. Apenas os helcarianos nômades e bárbaros do extremo norte, um pequeno reduto mugal em torno de Xandu e os lemurianos do extremo sul de Barata puderam resistir à conquista.
Os sacerdotes de Agarta jamais conseguiram competir com os atlantes em alta magia. Sua cultura conformista e disciplinada, embora propícia ao desenvolvimento da telepatia e da clarividência, inibe a geração e o domínio eficaz de outras formas de magia. Além disso, consideram tanto a magia e o psiquismo, quanto a física, a química e a medicina "ciências ocultas", cujos segredos são ciosamente guardados dos não-sacerdotes, principalmente dos servos. A restrição do ensino das "ciências ocultas" à casta sacerdotal inibe a criatividade e o surgimento de grandes talentos. Entretanto, entre 2300 e 2500, os sacerdotes aprenderam a compensar essa deficiência aprendendo a utilizar a mecânica, a química, a medicina, a eletricidade e a força do vapor para criar armas que os leigos podem manipular mesmo sem compreender a fundo, fazendo do Império de Agarta um rival à altura do Império Atlante, ao menos em termos militares.
Cultura e ideologia
Os descendentes dos invasores originais e suas tribos aliadas – que eram descendentes de hiperbóreos mais ou menos misturados com povos vizinhos – são considerados “hiboreanos”, isto é "fidalgos", e sujeitam-se a um código de honra. Todo trabalho, seja qual for, deve ser considerado honroso, se for feito para o Manu. Deve-se cultivar o sentimento da irmandade e cortesia mútua entre os hiboreanos. Devem demonstrar respeito e gratidão pelos mais velhos e uma completa ausência de auto-afirmação. Devem confiar uns nos outros e acreditar que os atos alheios são fruto de boas intenções, até prova em contrário. A palavra de um homem deve bastar; é considerado indigno de um hiboreano quebrá-la.
O sentimento de fraternidade, entretanto, não se estende para fora dos que são considerados hiboreanos. É o caso dos servos helcarianos, considerados astutos, matreiros e desmerecedores de confiança e tratados com acentuada reserva. Rigor, reserva e dureza caracterizam a política dos hiboreanos nos países por eles submetidos. Eles se mantêm em dignificada reserva, sem jamais dar-lhes consideração especial nem admiti-los no interior de suas casas, mas recebendo-os no pátio externo.
Há casas e pátios separados para hospedagem dos estrangeiros, que são muito poucos, pois só eventualmente chegam caravanas de mercadores e embaixadores de outras nações. São recebidos com hospitalidade e cortesia formais, mas tratados sempre com uma reserva inalterável que assinala uma barreira intransponível.
As pessoas têm um grande número de amigos e conhecidos. Os administradores são obrigados a conhecer todos os chefes de família de seus distritos e o conhecimento de um grande número de pessoas é uma das qualificações para um homem chegar a ser dignitário.
Magia e ciência, considerados conhecimentos secretos, são usados muito menos intensivamente que na Atlântida. As máquinas são mais simples e se utiliza mais trabalho manual. O Manu alega que não quer que seu povo imite o luxo, a sofisticação, o conforto, a rivalidade e o orgulho individualista dos atlantes.
Os instrutores de ciências ocultas põem muito cuidado na seleção de discípulos, destinados a formar parte da casta sacerdotal. Um ministro do Manu exerce a superintendência das classes. Os estudantes mais adiantados têm para com o Estado o dever de manter as províncias do Império em mútuo contato. Para isso, há comissários para várias províncias, dando cada qual informação relativa à terra a seu cargo, obtida por clarividência e outros meios ocultos. Estudantes mais avançados transmitem por telepatia as instruções do Manu aos governadores e vice-reis, bem como suas mensagens de paz e guerra.
Não há jornais, nem qualquer meio de informação pública além do Estado, que mantém um escritório de informação geral onde os cidadãos qualificados podem procurar as notícias que lhe interessarem. Não é costume dar-lhes publicidade generalizada.
A religião consiste em louvores e ações de graças. As pessoas vivem cantando hinos de louvor, e vêem os deuses por trás das forças naturais. Todas as manhãs se entoam hinos, com alegria, às ninfas da Aurora. O Espírito do Sol e os quatro Kumaras são tidos por deuses. O planeta Vênus também recebe adoração, em virtude da tradição segundo a qual os Senhores da Chama tinham descido de Vênus. Adora-se o próprio Céu, e até o Átomo, como origem de todas as coisas e manifestação da Divindade em miniatura.