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O imperador Dagana protegeu Ki com um possante sistema de fortificações, composto de cinco muralhas. Circundou a cidade interna com uma muralha dupla cuja espessura, com o enchimento de terra entre as duas paredes de tijolos, é de 27 metros e sua altura, de 110 metros. | O imperador Dagana protegeu Ki com um possante sistema de fortificações, composto de cinco muralhas. Circundou a cidade interna com uma muralha dupla cuja espessura, com o enchimento de terra entre as duas paredes de tijolos, é de 27 metros e sua altura, de 110 metros. | ||
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As duas metades da parte interna da cidade, separadas pelo Puratu, são ligadas por uma ponte de pedra com um quilômetro de comprimento. Sobre os pilares de pedra descem durante o dia, dos dois lados, pontes levadiças de madeira, pelas quais passam os habitantes de Ki. À noite, porém, a ponte é erguida, para que não passem durante a noite e roubem uns aos outros. | As duas metades da parte interna da cidade, separadas pelo Puratu, são ligadas por uma ponte de pedra com um quilômetro de comprimento. Sobre os pilares de pedra descem durante o dia, dos dois lados, pontes levadiças de madeira, pelas quais passam os habitantes de Ki. À noite, porém, a ponte é erguida, para que não passem durante a noite e roubem uns aos outros. | ||
| + | == O Palácio de Dagana == | ||
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| + | [[Image:Ki02.jpg|thumb|right|350px|A Torre de An, vista dos Jardins Suspensos]] | ||
Dagana ergueu na cidade externa seu palácio de verão e transformou o castelo meridional da cidade interna em seu palácio principal, por fora uma fortaleza de aspecto agressivo e sombrio, por dentro adornado com relevos de tijolos coloridos e com as riquezas do mundo inteiro. A sala do trono mede 90 por 36 metros. Sucessivas novas construções ampliaram o castelo, transformando-o numa cidade palaciana de 36 hectares e com uma periferia de 2,4 quilômetros, cercada por um parque de palmeiras e ciprestes. Reconstruído, hoje é usado pelos vice-reis da Kaldu. | Dagana ergueu na cidade externa seu palácio de verão e transformou o castelo meridional da cidade interna em seu palácio principal, por fora uma fortaleza de aspecto agressivo e sombrio, por dentro adornado com relevos de tijolos coloridos e com as riquezas do mundo inteiro. A sala do trono mede 90 por 36 metros. Sucessivas novas construções ampliaram o castelo, transformando-o numa cidade palaciana de 36 hectares e com uma periferia de 2,4 quilômetros, cercada por um parque de palmeiras e ciprestes. Reconstruído, hoje é usado pelos vice-reis da Kaldu. | ||
| − | + | Fazem parte do grande palácio de Dagana os Jardins Suspensos de sua esposa, Shamat. Oriunda da atual [[Aíria]], então província cari, sentia saudades das suas montanhas pátrias. Não recuando ante as despesas, o imperador criou para ela uma paisagem de montanha. Mandou instalar uma série de jardins elevados, ascendentes, em forma de terraços, dos quais o mais alto fica na mesma altura das torres da muralha interna da cidade. Os jardins são sustentados por abóbadas de tijolos. Em baixo deles ficam salões nos quais nunca penetra um raio de sol e que são ainda refrigerados pela irrigação artificial dos jardins. É como uma instalação de ar condicionado em meio ao escaldante calor do verão de [[Kaldu]]. | |
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| − | Fazem parte do grande palácio de Dagana os Jardins Suspensos de sua esposa, Shamat. Oriunda da atual Aíria, então província cari, sentia saudades das suas montanhas pátrias. Não recuando ante as despesas, o imperador criou para ela uma paisagem de montanha. Mandou instalar uma série de jardins elevados, ascendentes, em forma de terraços, dos quais o mais alto fica na mesma altura das torres da muralha interna da cidade. Os jardins são sustentados por abóbadas de tijolos. Em baixo deles ficam salões nos quais nunca penetra um raio de sol e que são ainda refrigerados pela irrigação artificial dos jardins. É como uma instalação de ar condicionado em meio ao escaldante calor do verão de Kaldu. | ||
O chão é aplanado e densamente plantado de árvores de toda a espécie, cujo tamanho e beleza apresentam um quadro agradável. As fileiras de salões recebem claridade por se projetarem uma acima da outra. Neles há muitos aposentos régios, para vários fins. Num deles, porém, que tem aberturas para a superfície culminante, está instalado um serviço de bombas, com o qual se pode trazer água à vontade do rio, sem que se perceba coisa alguma de fora. | O chão é aplanado e densamente plantado de árvores de toda a espécie, cujo tamanho e beleza apresentam um quadro agradável. As fileiras de salões recebem claridade por se projetarem uma acima da outra. Neles há muitos aposentos régios, para vários fins. Num deles, porém, que tem aberturas para a superfície culminante, está instalado um serviço de bombas, com o qual se pode trazer água à vontade do rio, sem que se perceba coisa alguma de fora. | ||
Edição das 15h14min de 31 de julho de 2009
Ki foi a primeira capital do antigo Império Cari e atualmente é a capital do vice-reino atlante de Kaldu.
Índice
A Cidade
Toda a cidade de Ki é uma demonstração da soberba dos antigos imperadores caris e principalmente do grande Dagana, que culminou na Torre de An. Permitiam seus feitos no campo da edificação a riqueza natural de seu país, seu poder sobre os povos vizinhos subjugados e não menos o domínio absoluto sobre seus súditos. A pessoa, a força ativa e a propriedade de cada um dos habitantes do reino naturalmente estavam de modo ilimitado à disposição do divino imperador. Comandava-os ele com seus jumentos, bois, cavalos e carretas, mandando-os construir muralhas, diques, represas e canais, ruas magníficas, templos e palácios.
Ki é um retângulo cercado de muros, com nada menos de 24 quilômetros de comprimento lateral, tendo, por conseguinte uma superfície de 576 quilômetros quadrados, maior que a da própria Atlântis.
No auge do poder cari, sob Ausir, a população da metrópole chegou a dez milhões de habitantes. Depois, chegou a decair para menos de dois milhões de habitantes. Atualmente, como capital do vice-reino atlante de Kaldu, sua população é de 4,32 milhões de habitantes, o que faz dela a segunda maior cidade do Império Atlante em população.
A cidade está cheia de casas de três e quatro andares. É cortada em linhas retas por ruas, em parte paralelas ao rio, em parte em sentido transversal ao mesmo. Cada uma tem o nome de um deus. As casas particulares, na sua maioria, absolutamente não são magníficas e nem as ruas são muito largas. A população divide-se em sacerdotes e funcionários, soldados da guarda palaciana, negociantes e artesãos, lavradores e escravos.
A vestimenta típica consiste de um saiote de linho que chega até os pés e sobre ele vestem outro, de lã, e por último ainda um pequeno manto branco. Os homens usam barba e cabelos compridos e envolvem a cabeça com faixas, besuntando todo o corpo. Todos usam um anel e um cajado esculpido.
O vice-rei e os sacerdotes usam vestimentas de luxo, de lã e seda, com bordados coloridos, tingidas com preciosa púrpura e entretecidas de fios de ouro. Tapetes ou cobertores de Ki, com desenhos bordados ou lavores de ouro alcançam preços fabulosos. Enchem o mundo de admiração o luxo, os mais preciosos produtos de todos os países que se acumulavam em Ki e os que os artesãos da metrópole deles fazem. Comerciam-se ali cobre e ouro de Kem, prata e estanho da Atlântida, incenso e especiarias de Bárria, púrpura de Tamana, azeite e vinho de Pótnia, lã, seda e pedras preciosas da Aíria, especiarias, marfim e brilhantes de Aiúdia, pedras e cristais de Ofir. A grande Ki deixou de ser a capital do mundo, mas ainda é o principal entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente, entre o Império Atlante e seus rivais liderados por Agarta. Embarcações sobem e descem continuamente o rio Puratu para Ki.
As mais típicas, porém, são as que apenas descem: são redondas, sem que se possa distinguir popa e proa, e feitas de couro, com estrutura de vime e fundo coberto de juncos. O que mais transportam são barris feitos de palmeira, cheios de vinho. São dirigidas por meio de dois longos varejões, por dois homens de pé dentro dela. Em cada uma delas há um burro vivo, nos maiores até vários. Quando chegam ao fim da viagem, a Ki e ali colocam sua mercadoria, vendem também as varas de vime e todo o junco e só ficam com o couro que carregam no burro e com ele voltam às terras altas, pois é impossível navegar rio acima com essas embarcações.
Muralhas e Canais
O imperador Dagana protegeu Ki com um possante sistema de fortificações, composto de cinco muralhas. Circundou a cidade interna com uma muralha dupla cuja espessura, com o enchimento de terra entre as duas paredes de tijolos, é de 27 metros e sua altura, de 110 metros.
No alto da muralha há edificações de um andar, dispostas de maneira a sempre ficarem duas se confrontando. Entre essas torres, uma rua dá passagem para um carro de quatro cavalos. Há ao redor, em toda a muralha, 250 torres de guarda e cem portões, todos de latão, como o são também os esteios e as vigas transversais. Aquele monstro de muralha estende-se ao redor de um traçado urbano retangular, dos dois lados do rio Puratu.
Uma segunda muralha, não retilínea, cerca o castelo principal ou cidadela, o palácio de verão e o centro da cidade. A área por ela cercada cobre 75 quilômetros quadrados e 25 portões a conectam com o Puratu, que a atravessa diagonalmente. É a residência dos mercadores ricos e da nobreza.
Uma terceira muralha, dupla, cerca o núcleo central, o sagrado distrito dos templos. Sua extensão em sentido oeste-leste é de cinco quilômetros e seu comprimento norte-sul de três quilômetros, cobrindo quinze quilômetros quadrados.
Além do muro em torno da cidade externa, do muro intermediário dos dois muros em torno do centro da cidade, Dagana mandou construir ainda uma quinta fortificação no ponto onde o Puratu e o rio Idiklat mais se aproximam um do outro ao norte de Ki, que se estende de rio a rio com 30 quilômetros de comprimento.
Dagana também construiu quatro canais do Puratu ao Idiklat, dois canais paralelos ao Puratu e ao norte da Ki e uma represa para regular as inundações, criando um lago artificial de 480 quilômetros quadrados.
As duas metades da parte interna da cidade, separadas pelo Puratu, são ligadas por uma ponte de pedra com um quilômetro de comprimento. Sobre os pilares de pedra descem durante o dia, dos dois lados, pontes levadiças de madeira, pelas quais passam os habitantes de Ki. À noite, porém, a ponte é erguida, para que não passem durante a noite e roubem uns aos outros.
O Palácio de Dagana
Dagana ergueu na cidade externa seu palácio de verão e transformou o castelo meridional da cidade interna em seu palácio principal, por fora uma fortaleza de aspecto agressivo e sombrio, por dentro adornado com relevos de tijolos coloridos e com as riquezas do mundo inteiro. A sala do trono mede 90 por 36 metros. Sucessivas novas construções ampliaram o castelo, transformando-o numa cidade palaciana de 36 hectares e com uma periferia de 2,4 quilômetros, cercada por um parque de palmeiras e ciprestes. Reconstruído, hoje é usado pelos vice-reis da Kaldu.
Fazem parte do grande palácio de Dagana os Jardins Suspensos de sua esposa, Shamat. Oriunda da atual Aíria, então província cari, sentia saudades das suas montanhas pátrias. Não recuando ante as despesas, o imperador criou para ela uma paisagem de montanha. Mandou instalar uma série de jardins elevados, ascendentes, em forma de terraços, dos quais o mais alto fica na mesma altura das torres da muralha interna da cidade. Os jardins são sustentados por abóbadas de tijolos. Em baixo deles ficam salões nos quais nunca penetra um raio de sol e que são ainda refrigerados pela irrigação artificial dos jardins. É como uma instalação de ar condicionado em meio ao escaldante calor do verão de Kaldu.
O chão é aplanado e densamente plantado de árvores de toda a espécie, cujo tamanho e beleza apresentam um quadro agradável. As fileiras de salões recebem claridade por se projetarem uma acima da outra. Neles há muitos aposentos régios, para vários fins. Num deles, porém, que tem aberturas para a superfície culminante, está instalado um serviço de bombas, com o qual se pode trazer água à vontade do rio, sem que se perceba coisa alguma de fora.
A Torre de An
A construção mais imponente de Ki, porém, é a enorme Torre de An, (“Torre do Céu”) com 200 metros de largura na base e 315 metros de altura. Seu possante volume domina o panorama da metrópole. A intenção de Dagana era “imitar o céu”. A torre devia manifestar não apenas o poder de An, mas também o de seu representante na Terra e o esplendor de sua metrópole. Bruto e bombástico, coroava a presunção de Ki de ser o umbigo do mundo, que em sua língua se chamava Kishar (“O Suporte de Ki”).
No templo de 15 metros de altura que constitui o último degrau da Torre, só é permitido o acesso aos sacerdotes. O templo é vidrado de azul por dentro e por fora e tinha telhado de ouro. Sobranceiro, de seu trono de trezentos metros, resplandece sobre toda a cidade e extensa região ao redor, santuário de Anshar e coroa de Kishar.
Há nele um grande leito com mantas e almofadas e, ao lado, uma mesa de ouro. Lá não está colocada nenhuma efígie de um deus e nenhum mortal passa ali a noite a não ser uma única mulher, sozinha, uma das filhas da terra, que o deus escolhe entre todas. Pois os sacerdotes afirmam que o próprio deus procura esse templo e dorme no leito. É também ali que os sacerdotes pesquisavam a trajetória dos astros.
O Templo de Ishtar
Também no distrito sagrado, ficam os templos de Ishtar, a deusa do amor e da fertilidade. Cada mulher de Ki deve ficar uma vez na vida nesse santuário e entregar-se a um homem estranho. Muitas, que não querem misturar-se com as outras mulheres por se orgulharem de sua riqueza, vão em carro fechado até o santuário e muitas aias as seguem. Muitas mulheres ficam sentadas juntas nesse distrito sagrado, com um cordel enrolado em torno da cabeça, como uma coroa. Umas vêm, outras se vão embora. Entre as fileiras de mulheres sentadas, há estreitas passagens em todas as direções, dê modo que os estranhos possam andar entre elas e escolher uma delas. Uma vez ali sentada, a mulher não pode voltar para casa antes que um homem estranho lhe tenha atirado dinheiro ao colo e ela tenha-se entregue a ele, fora do templo. Ao atirar-lhe o dinheiro, porém, ele deve dizer: “Chamo-te em nome de Ishtar”. O montante da quantia em dinheiro não tem qualquer importância; ela não o pode recusar, tal não lhe é permitido. O dinheiro pertence ao templo.
A mulher é obrigada a acompanhar o primeiro que lhe atira as moedas, não lhe sendo permitido recusar quem quer que seja. Quando se entregou ao homem, desta maneira tendo-se consagrado à deusa, ela volta para casa e a partir de então não há dinheiro, por mais que lhe ofereçam, que a induza a fazer o mesmo novamente. As mulheres que despertam a atenção por sua beleza e seu porte não tardam a voltar para casa, mas as feias esperam muitas vezes longo tempo sem poder cumprir a lei. Acontece até esperarem dois a três anos. Há também prostitutas profissionais em grande número que também realizam serviço divino; chamam-se escravas do templo (hieródulas) e transmitem as bênçãos e o poder da deusa do amor. Cumpre-lhes também fazer a limpeza dos templos, tecer vestimentas para o culto, e apresentam-se como bailarinas e cantoras, acompanhadas pela música de harpas, liras, tambores e timbales por ocasiões das festas religiosas ou também nas casas de ricos cidadãos de Ki. Consta que na grande cidade seu número é superior a 100.000.
O Templo de Marduk
Outro templo magnífico é o de Marduk, com 550 metros de comprimento. Dentro dele há uma grande figura sentada do deus, uma grande mesa, um tamborete e um trono, todos de ouro, totalizando mais de 21 toneladas de metal precioso. Há, no total, 53 templos e 1.300 altares em todo o distrito de templos, que também inclui depósitos, bazares e residências sacerdotais semelhantes a palácios. Ao redor, há inúmeras hospedarias para peregrinos, que de longe vêm a Ki para as grandes procissões de Marduk e Ishtar.
Dagana mandou construir especialmente para essas procissões uma rua magnífica, como ainda não existira outra igual. Ela começava na cidade externa, na grande cidadela, e através da famosa porta de Ishtar conduz para dentro da cidade interna. O enorme portão duplo é coroado de ameias e revestido de tijolos vidrados de azul, sobre os quais se destacavam mais de 500 relevos coloridos de touros e dragões. As portas são feitas de cedro e guarnecidas de chapas de cobre.
Passando pelo grande palácio de Dagana, na cidade interna, a avenida das procissões seguia para o sul, curva-se depois para o oeste e entre os dois distritos sagrados, com a torre e o Templo de Marduk, conduz para a ponte sobre o Puratu, que liga a metade oriental da cidade interna com a metade ocidental, menos luxuosa
A rua tem 23 metros de largura e é pavimentada com grandes placas de pedra. A parte situada na cidade externa, da cidadela até o portão de Ishtar, é ladeada por muros de sete metros de altura e vidrados de azul, nos quais, em relevos amarelos, brilham rosetas e cerca de 120 leões em marcha, cada um com dois metros de comprimentos. Entrar em Ki por aquela radiante avenida orlada de leões, através da porta de Ishtar, e depois deter-se ante a torre possante, que resplandece em dez cores, eis uma impressão que depois de Dagana talvez nenhum construtor de cidades tenha mais conseguido.
Nos dias santos passam pela luxuosa rua as grandes procissões que se dirigiam ao Templo de Marduk e até ao segundo degrau da torre. Os sacerdotes levavam estátuas dos deuses e de milhares de peitos ecoam cânticos em louvor ao deus.